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Uma visita mais que especial (parte 3)

Por: Vittória Cataldo

De todas as minhas colegas entrevistadas da Residencial Bem Viver, vocês já tiveram o prazer de conhecer duas. Hoje venho com a parte três dessa aventura trazendo minha querida Delicia Gomes, de noventa anos.

 

Isso mesmo. O nome dela é Delicia e vocês já conseguem imaginar o que o bom humor da senhora fez né? Uma piadinha com o próprio nome. Delicia está na Residencial Bem Viver cerca de dois meses mais ou menos, e quando pergunto-lhe qual é a melhor parte de estar ali, ela responde sem rodeios:

 

— A comida. — Todas no recinto nesse momento caímos na gargalhada.

— E as amizades? — Eu pergunto curiosa.

— As amizades são boas, mas não é o tipo que eu gosto. Eu gosto de falar de Beethoven, Chopin, música clássica, entende? Então não tem ninguém aqui que gosta disso também para eu conversar.

 

Nessa momento nossa querida amiga Ruth começa a rir e compartilha um momento com a gente que leva guardado na memória que envolve a Delicia. Ruth conta quando Delicia pediu para ela tocar a campainha porque ela tinha caído da cama e a Ruth tocou e apareceu para as enfermeiras perguntando quem é que estava tocando a campainha e o que tinha acontecido.  

 

— É que tem uma velha que foi na balada e caiu da cama aqui. — Ruth diz nos explicando o que falou naquele momento e todas nós rimos de novo. E por um momento não sinto a quantidade de anos que me separa daquelas mulheres alegres e divertidas.

 

Logo em seguida, quando sinto o silêncio começando a pairar entre nós, pergunto sobre a rotina dela. Ela me olha um tempo sem dar a resposta que eu esperava. Ela foi completa e totalmente sincera.

 

— A minha rotina é rotina. Nada muda é sempre a mesma coisa. A rotina é uma rotina. Só isso. Olha, eu não gosto daqui. Quer sinceridade? É sinceridade. Porque eu gostava da minha casa, e eu estou aqui porque foi uma necessidade, fiquei sem empregada e eu moro sozinha, minha filha não achou mais empregada, e eu tive que vir pra cá, mas eu não gosto daqui, e não é que seja ruim, aqui é muito bom, é ótimo, mas não é a minha casa.

 

E essa foi uma visão diferente de uma pessoa diferente que nos fez refletir. Pensar em algumas coisas da nossa vida que são inevitáveis. Será que a nossa próxima entrevistada irá nos fazer pensar assim também?

Aguardem!

02/08/2019

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